quinta-feira, 24 de maio de 2012

Só um presentinho

De uma coisa eu tenho certeza: a vida social das minhas filhas é bem mais agitada do que a minha. É rara a semana que elas não recebem convites para festinhas: na escola, no salão de festas, em buffet, no parque, no cabeleleiro...

Não é nada fácil resolver todos esses recuerdos sem cair na cilada dos brinquedos de péssima qualidade e gosto duvidoso. Me recuso a mandar um presente que eu não gostaria que minhas filhas ganhassem. E haja criatividade AND dinheiro pra sair presenteando esse mundaréu de amigos.

Eis que achei a solução para os meus problemas, bem no estilo tabajara:

Jogatina

Já faz um tempinho percebi, num cantinho tímido da loja de brinquedos, uma seleção eclética de jogos de cartas a um preço bem camarada (de R$10 a R$15), perfeitos para aquela festinha onde vem escrito no convitinho "hora do lanche". Tem de tudo, desde clássicos que a gente ama como Mico e Uno (o original, pelamor!) a novidades como o Lince e Pictureka.

Desse jeito fica mais possível presentear no estilo Amaury Junior, com classe, elegância, requinte, abrilhantando o evento e o aniversariante. Traduzindo pra uma coisa mais MTV: é decente e bacaninha. Mas o que a gente gosta mesmo é de #brincarjunto.

terça-feira, 8 de maio de 2012

A birra e a terapia do abraço

Fazia tempo que não acontecia um episódio de birra por aqui. Mas daquelas BIRRAS, assim, em letra maiúscula.

Tudo começou quando fui buscar as meninas na casa da vizinha. Na hora em que a porta abriu vieram as duas para cima de mim: Mãe, posso dormir aqui hoje? A reação das duas à minha resposta negativa foi descabida. Stella fugiu correndo para dentro do apartamento. Lia começou a berrar no corredor do hall e se jogou no chão (sei que isso não acontece com vocês, mas peço que façam uma esforço e imaginem essa cena, quase inédita na vida de quem é mãe).

Com a ajuda da minha vizinha, recolhi a mais velha e prendi a caçula no meu colo, me valendo, provavelmente, do último ano que vou ser capaz de ter força para isso, e nos enfiamos no elevador.

Depois da viagem de alguns andares (e o prédio todo sabendo que tinha uma criança se esgoelando dentro do elevador), Stella chegou em casa emburrada e Lia continuava transtornada. A primeira se plantou no sofá e fechou a cara e a segunda, chorando cada vez mais, começou a correr feito bicho dentro de casa, dando cabeçadas na parde, até que e se dirigiu à entrada. Gritou que ia fugir e ficou sem ação quando eu abri a porta para ela ir.

Eu já tinha percebido que o que ela queria era que eu entrasse no estado que ela estava, para que continuasse me agredindo, verbal e fisicamente. Se recusava a me olhar nos olhos e se irritava profundamente porque eu insistia em falar num tom muito baixo com ela. Nesse momento de fúria visceral, uma calma de monge budista me invadiu. Parte por instinto, parte por já ter visto/lido muita coisa sobre situações extremas da maternidade.

Como disse a Dra. Ivani, nas horas de birra, não tem show se não tiver plateia. Fui conversar com Stella, que permanecia imóvel. Nesse momento, Lia começou a me bater enlouquecidamente. E eu deixei, para espanto do pai de duas, que me olhava com uma cara de "desde quando você permite isso?". Sinalizei para ele que eu estava no controle da situação e que ia resolver da minha maneira.

Aqui não toleramos violência. E quando minha caçula começou a dar tapas nas minhas costas, não senti raiva. Senti muita pena da menina, que não estava conseguindo dar vazão à frustração e braveza dela.

Me lembrei de uma coisa que tinha lido no livro da Natércia Tiba há uns dias, onde ela contava de um paciente, um menino de 6 anos considerado explosivo. "Que alívio saber que a raiva (ou tristeza, medo...) podem ser sentidos e o que nos diferencia é como lidamos com isso. Não somos maus por sentir. Para nós adultos, pode parecer óbvio, mas para as crianças os sentimentos ruins podem gerar muita culpa."

Abracei Lia fortemente, coloquei no colo e levei para o quarto. Sem muita conversa, apenas dizendo que eu estava com ela, não estava brava e que e a gente ia se acalmar. Retomei o contato visual e ela, ainda soluçando, me abraçou e pediu desculpas. Cinco minutos depois já estava brincando de novo.
  
Tenho lidado com birras e crises das meninas através da "terapia do abraço". Acho que é importante validar os sentimentos negativos delas (total descontrol, raiva, frustração, tristeza, indignação), sem minimizá-los. Elas sentem, demonstram, eu fico ciente, dou colo, carinho, abraço. Me coloco como porto seguro.

Aqui tem dado resultados. Mas com ressalvas. Notem que:
1. Não é fácil. Já falei, é preciso sangue de barata e, se você for fiel, uma novena;
2. Depende da idade/personalidade da criança. Lia, uma escorpiana de 4 anos, passional e intensa responde bem ao sussega Lião, ops, quer dizer, ao Serial Abraçator;
3. Às mães de crianças super reservadas e contidas: por favor contem aqui nos comentários como destravaram os elementos desse nível e como fazer para passar dessa fase 6 (anos).

terça-feira, 1 de maio de 2012

A mãe que viaja

Semana que vem vai fazer seis anos que eu assumi a maternidade em tempo integral. Essa decisão se consolidou quando percebi que não ia conseguir conciliar a demanda do emprego que eu tinha com o ideal de maternidade que eu tinha. E um dos motivos foi minha incapacidade coronária de administrar viagens (eu tinha que fazer uma porção delas) e filhos. Em outras palavras, meu coração se partia só de pensar na possibilidade de ter que partir por vários dias e deixar minha bebê sob os cuidados de terceiros.

Para comemorar essa data tão marcante, o destino me presenteou com... uma viagem de trabalho! A primeira depois de todos esses anos. Mas a vida me foi gentil e permitiu um suave recomeço: a jornada foi para aqui pertinho, só por um dia, e fazendo uma coisa bem legal (mais detalhes em breve, em um Mamaview perto de você!)

Na despedida, muitos abraços, beijinhos e eu te amos. No destino, muito trabalho, contatos e aprendizados. E no coração, ne-nhu-ma culpa, nenhum arrependimento e a dose certa de saudade. Estaria eu próxima de conseguir responder à pergunta que me propus no meu perfil aqui na coluna da direita?

Acompanhe as cenas dos próximos capítulos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...