Quando a Bárbara me convidou para escrever meu relato de amamentação para o portal dela, o Uma Mãe das Arábias, logo disse: minha história é tão normal!
Nunca tive grandes obstáculos, grandes neuras, grandes aspirações. Só tinha a certeza que queria amamentar. E assim foi.
E foi um processo terapêutico escrever sobre esse perído, relembrar, pensar sobre as alegrias e as dificuldades. Faz tanto tempo, deu até saudade. Mas nada que um afaguinho nas minhas agora glutonas não resolvesse.
terça-feira, 27 de março de 2012
Relato de Amamentação no Portal das Arábias
segunda-feira, 19 de março de 2012
Os anos destemidos
Faz um tempinho que deixamos de sintonizar os Terrible Twos* aqui. A última protagonista, uma loirinha amalucada, fez poucas e boas que renderam bons capítulos. Mas a série acabou e eu sabia, como espectadora fanática, que viriam novidades. Pois bem. Venho aqui compartilhar algumas cenas da mais nova novela da minha vida: The Fearless Fours**. Tem emoção, comédia, drama (muito drama), ternura. E estrelando, ela, a destemida.
* * *
- Mãe, hoje eu vou assim na escola:
- Mas assim vai doer seu pé! Os tênis são diferentes, como você vai conseguir correr?
- E daí? Eu quero!
Nesse exato momento, a mãe se lembra das sábias palavras de seu próprio pai: "Tem gente que aprende pelo amor e tem gente que só aprende pela dor" e conclui que não adianta insistir em antecipar os problemas. A tal da loirinha maluquinha precisa, ela mesma, tirar suas próprias conclusões. Então libera a menina para ir como quiser, mas sorrateiramente, esconde um pé de um dos pares na mochila da filha. Vai que ao longo do dia ela percebe que a mãe tinha razão...
Fim do dia, na expectativa de saber se o pé doeu, se ela sofreu bullying por ser diferente, a mãe vem com o interrogatório - mas não sem antes notar que os calçados continuavam trocados:
- E aí, como foi?
- Todo mundo riu de mim.
- E você ficou brava?
- Não, foi legal.
- Doeu o pé?
- Não.
- Amanhã você vai de novo assim?
-Ah, não... Chega.
* * *
A lógica implacável:
(irmã mais nova): - Mãe, eu não ouvo!
(irmã mais velha): - Não é "ouvo"! É ouço!
(irmã mais nova): - Mas eu não sou cachorra, eu não gosto de ousso. Então eu falo "ouvo".
"Eu vou no banheiro feminina porque eu sou menina. O banheiro feminino é para os meninos!"
* * *
Os quatro anos trouxeram a negação com força total e de um jeito bem mais sofisticado. Não importa o quê, ela quer o contrário do que a gente oferece: roupas, comidas, passeios, brincadeiras. Só pelo barato que dá o desafio de se reafirmar. Dia após dia, ela tem que "matar" um pouquinho o pai, a mãe e a irmã mais velha para fazer valer, perante todos, suas opções e sua própria existência. Freud explica?
* * *
*Os terrible twos acontecem por volta dos dois anos de idade, fase difícil de muitas birras da criança.
**Os fearless fours (= quatro destemidos) eu acabo de inventar, pois é assim que eu sinto a minha menina de quatro anos: nada pode abalar sua determinação em conquistar seu lugar no mundo. É uma fase deliciosa de descobertas de si, dos limites e do sentimento de pertencimento, para logo depois rumar para o desprendimento. E junto com ela, eu rumo para um grande aprendimento.
* * *
- Mãe, hoje eu vou assim na escola:
- Mas assim vai doer seu pé! Os tênis são diferentes, como você vai conseguir correr?
- E daí? Eu quero!
Nesse exato momento, a mãe se lembra das sábias palavras de seu próprio pai: "Tem gente que aprende pelo amor e tem gente que só aprende pela dor" e conclui que não adianta insistir em antecipar os problemas. A tal da loirinha maluquinha precisa, ela mesma, tirar suas próprias conclusões. Então libera a menina para ir como quiser, mas sorrateiramente, esconde um pé de um dos pares na mochila da filha. Vai que ao longo do dia ela percebe que a mãe tinha razão...
Fim do dia, na expectativa de saber se o pé doeu, se ela sofreu bullying por ser diferente, a mãe vem com o interrogatório - mas não sem antes notar que os calçados continuavam trocados:
- E aí, como foi?
- Todo mundo riu de mim.
- E você ficou brava?
- Não, foi legal.
- Doeu o pé?
- Não.
- Amanhã você vai de novo assim?
-Ah, não... Chega.
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A lógica implacável:
(irmã mais nova): - Mãe, eu não ouvo!
(irmã mais velha): - Não é "ouvo"! É ouço!
(irmã mais nova): - Mas eu não sou cachorra, eu não gosto de ousso. Então eu falo "ouvo".
"Eu vou no banheiro feminina porque eu sou menina. O banheiro feminino é para os meninos!"
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Os quatro anos trouxeram a negação com força total e de um jeito bem mais sofisticado. Não importa o quê, ela quer o contrário do que a gente oferece: roupas, comidas, passeios, brincadeiras. Só pelo barato que dá o desafio de se reafirmar. Dia após dia, ela tem que "matar" um pouquinho o pai, a mãe e a irmã mais velha para fazer valer, perante todos, suas opções e sua própria existência. Freud explica?
* * *
*Os terrible twos acontecem por volta dos dois anos de idade, fase difícil de muitas birras da criança.
**Os fearless fours (= quatro destemidos) eu acabo de inventar, pois é assim que eu sinto a minha menina de quatro anos: nada pode abalar sua determinação em conquistar seu lugar no mundo. É uma fase deliciosa de descobertas de si, dos limites e do sentimento de pertencimento, para logo depois rumar para o desprendimento. E junto com ela, eu rumo para um grande aprendimento.
quarta-feira, 14 de março de 2012
Irmãos dormindo no mesmo quarto: desde quando?
Desde sempre, é a minha resposta.
Quando a gente recebe o resultado positivo pela segunda vez, uma relação de coisas inadiáveis surge imediatamente na cabeça:
- arranjar um outro nome mais lindo do mundo;
- separar o que ainda dá para aproveitar do primeiro filho;
- rever o orçamento;
- fazer caber essa criança (e sua tralha) dentro de casa.
Pelo menos essa foi a lista mental que elaborei no instante que confirmei que estava grávida de novo. E antes mesmo de saber o sexo do bebê, já estava decidido que as duas crias iriam dormir no mesmo quarto. Esse fato acabou não exatamente sendo uma opção, e sim uma consequência: moramos em um apartamento pequeno e mudar de casa não estava nos planos. Mas mesmo que tivéssemos espaço de sobra, a escolha teria sido a mesma porque acredito que o fato de dormir no mesmo quarto traz diversos benefícios para os irmãos, fortalece o vínculo, ajuda a criar uma cumplicidade entre eles e faz com que percebam que a necessidade de compartilhar - seja o espaço, objetos ou pessoas - é uma coisa inevitável na vida do ser humano, principalmente se esse outro ser é sangue do teu sangue. Do lado prático, a vantagem é que brinquedos e utensílios infantis ( = a baguncinha das crianças) ficam concentrados em um só lugar - ponto importante para quem mantém a casa sozinha, como eu.
Tudo isso é muito bonito, mas reconheço que tem muita gente que leva em consideração outros aspectos na hora de decidir se coloca os irmãos para dormirem juntos ou separados. De fato, é grande a possibilidade do mais velho se incomodar com o choro do mais novo durante a noite, principalmente durante os primeirosdez anos. E os pais têm que ser criativos ao explicar para o filho porque não dá para brincar no quarto enquanto o bebê está dormindo.
Daí, o pai de duas e eu nos apegamos aos pontos positivos e estamos com eles até hoje.
Para receber a Lia, mudamos um pouquinho a decoração (quem consegue segurar uma grávida e seu instinto de arrumar o ninho?): com a "ajuda" da Stella demos uma nova demão de tinta nas paredes, compramos algumas peças de móveis, sendo que a mais importante foi a caminha da irmã mais velha, que tinha acabado de ceder gentilmente o berço para o nenezinho que estava chegando. O quarto também ganhou um novo jogo de colchas artesanais (do qual, confesso, até hoje não consegui me desfazer).
Lia passou as noites dos primeiros meses dormindo no nosso quarto. Quando senti que começou a ficar desconfortável para ela dormir no carrinho - nem pensar que caberia um bercinho, por menor que fosse, no meu quarto - a transferi para seu berço. Mas ela - ao contrário da minha primogênita - foi uma daquelas crianças que chegava a acordar de 8 a 10 vezes por noite - #glóriaoapaisenhor que essa fase é passado! Stella nunca se incomodou com a choradeira noturna e, para o bem estar geral, foram poucas as vezes que reclamou do barulho.
Quando a Lia completou dois anos, o quarto ganhou novas configuração e decoração. Como me falta espaço, tenho que compensar na criatividade. O berço se foi de vez (ai, que dor no coração!) e no lugar dele veio uma cama super legal, com escada, escorregador e espaço para fazer um esconderijo (semanas depois, Lia resolveu brincar de bungee jump nessa cama e o resultado foi esse). Além de ser o lugar de dormir, o quarto agora concentra todos os brinquedos, jogos e tem uma subutilizada televisão.
As vezes pergunto se elas gostariam de ter quartos separados, e sempre me respondem com um uníssono NÃO. Percebo que este é o território delas, lugar onde brincam, inventam e fazem planos para dominar o mundo. E enquanto durar a paz fraternal, permanecerão unidas no sono e na vigília.
Quando a gente recebe o resultado positivo pela segunda vez, uma relação de coisas inadiáveis surge imediatamente na cabeça:
- arranjar um outro nome mais lindo do mundo;
- separar o que ainda dá para aproveitar do primeiro filho;
- rever o orçamento;
- fazer caber essa criança (e sua tralha) dentro de casa.
Pelo menos essa foi a lista mental que elaborei no instante que confirmei que estava grávida de novo. E antes mesmo de saber o sexo do bebê, já estava decidido que as duas crias iriam dormir no mesmo quarto. Esse fato acabou não exatamente sendo uma opção, e sim uma consequência: moramos em um apartamento pequeno e mudar de casa não estava nos planos. Mas mesmo que tivéssemos espaço de sobra, a escolha teria sido a mesma porque acredito que o fato de dormir no mesmo quarto traz diversos benefícios para os irmãos, fortalece o vínculo, ajuda a criar uma cumplicidade entre eles e faz com que percebam que a necessidade de compartilhar - seja o espaço, objetos ou pessoas - é uma coisa inevitável na vida do ser humano, principalmente se esse outro ser é sangue do teu sangue. Do lado prático, a vantagem é que brinquedos e utensílios infantis ( = a baguncinha das crianças) ficam concentrados em um só lugar - ponto importante para quem mantém a casa sozinha, como eu.
Tudo isso é muito bonito, mas reconheço que tem muita gente que leva em consideração outros aspectos na hora de decidir se coloca os irmãos para dormirem juntos ou separados. De fato, é grande a possibilidade do mais velho se incomodar com o choro do mais novo durante a noite, principalmente durante os primeiros
Daí, o pai de duas e eu nos apegamos aos pontos positivos e estamos com eles até hoje.
Para receber a Lia, mudamos um pouquinho a decoração (quem consegue segurar uma grávida e seu instinto de arrumar o ninho?): com a "ajuda" da Stella demos uma nova demão de tinta nas paredes, compramos algumas peças de móveis, sendo que a mais importante foi a caminha da irmã mais velha, que tinha acabado de ceder gentilmente o berço para o nenezinho que estava chegando. O quarto também ganhou um novo jogo de colchas artesanais (do qual, confesso, até hoje não consegui me desfazer).
Lia passou as noites dos primeiros meses dormindo no nosso quarto. Quando senti que começou a ficar desconfortável para ela dormir no carrinho - nem pensar que caberia um bercinho, por menor que fosse, no meu quarto - a transferi para seu berço. Mas ela - ao contrário da minha primogênita - foi uma daquelas crianças que chegava a acordar de 8 a 10 vezes por noite - #glóriaoapaisenhor que essa fase é passado! Stella nunca se incomodou com a choradeira noturna e, para o bem estar geral, foram poucas as vezes que reclamou do barulho.
Quando a Lia completou dois anos, o quarto ganhou novas configuração e decoração. Como me falta espaço, tenho que compensar na criatividade. O berço se foi de vez (ai, que dor no coração!) e no lugar dele veio uma cama super legal, com escada, escorregador e espaço para fazer um esconderijo (semanas depois, Lia resolveu brincar de bungee jump nessa cama e o resultado foi esse). Além de ser o lugar de dormir, o quarto agora concentra todos os brinquedos, jogos e tem uma subutilizada televisão.
As vezes pergunto se elas gostariam de ter quartos separados, e sempre me respondem com um uníssono NÃO. Percebo que este é o território delas, lugar onde brincam, inventam e fazem planos para dominar o mundo. E enquanto durar a paz fraternal, permanecerão unidas no sono e na vigília.
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