Fazia tempo que não acontecia um episódio de birra por aqui. Mas daquelas BIRRAS, assim, em letra maiúscula.
Tudo começou quando fui buscar as meninas na casa da vizinha. Na hora em que a porta abriu vieram as duas para cima de mim: Mãe, posso dormir aqui hoje? A reação das duas à minha resposta negativa foi descabida. Stella fugiu correndo para dentro do apartamento. Lia começou a berrar no corredor do hall e se jogou no chão (sei que isso não acontece com vocês, mas peço que façam uma esforço e imaginem essa cena, quase inédita na vida de quem é mãe).
Com a ajuda da minha vizinha, recolhi a mais velha e prendi a caçula no meu colo, me valendo, provavelmente, do último ano que vou ser capaz de ter força para isso, e nos enfiamos no elevador.
Depois da viagem de alguns andares (e o prédio todo sabendo que tinha uma criança se esgoelando dentro do elevador), Stella chegou em casa emburrada e Lia continuava transtornada. A primeira se plantou no sofá e fechou a cara e a segunda, chorando cada vez mais, começou a correr feito bicho dentro de casa, dando cabeçadas na parde, até que e se dirigiu à entrada. Gritou que ia fugir e ficou sem ação quando eu abri a porta para ela ir.
Eu já tinha percebido que o que ela queria era que eu entrasse no estado que ela estava, para que continuasse me agredindo, verbal e fisicamente. Se recusava a me olhar nos olhos e se irritava profundamente porque eu insistia em falar num tom muito baixo com ela. Nesse momento de fúria visceral, uma calma de monge budista me invadiu. Parte por instinto, parte por já ter visto/lido muita coisa sobre situações extremas da maternidade.
Como disse a Dra. Ivani, nas horas de birra, não tem show se não tiver plateia. Fui conversar com Stella, que permanecia imóvel. Nesse momento, Lia começou a me bater enlouquecidamente. E eu deixei, para espanto do pai de duas, que me olhava com uma cara de "desde quando você permite isso?". Sinalizei para ele que eu estava no controle da situação e que ia resolver da minha maneira.
Aqui não toleramos violência. E quando minha caçula começou a dar tapas nas minhas costas, não senti raiva. Senti muita pena da menina, que não estava conseguindo dar vazão à frustração e braveza dela.
Me lembrei de uma coisa que tinha lido no livro da Natércia Tiba há uns dias, onde ela contava de um paciente, um menino de 6 anos considerado explosivo. "Que alívio saber que a raiva (ou tristeza, medo...) podem ser sentidos e o que nos diferencia é como lidamos com isso. Não somos maus por sentir. Para nós adultos, pode parecer óbvio, mas para as crianças os sentimentos ruins podem gerar muita culpa."
Abracei Lia fortemente, coloquei no colo e levei para o quarto. Sem muita conversa, apenas dizendo que eu estava com ela, não estava brava e que e a gente ia se acalmar. Retomei o contato visual e ela, ainda soluçando, me abraçou e pediu desculpas. Cinco minutos depois já estava brincando de novo.
Tenho lidado com birras e crises das meninas através da "terapia do abraço". Acho que é importante validar os sentimentos negativos delas (total descontrol, raiva, frustração, tristeza, indignação), sem minimizá-los. Elas sentem, demonstram, eu fico ciente, dou colo, carinho, abraço. Me coloco como porto seguro.
Aqui tem dado resultados. Mas com ressalvas. Notem que:
1. Não é fácil. Já falei, é preciso sangue de barata e, se você for fiel, uma novena;
2. Depende da idade/personalidade da criança. Lia, uma escorpiana de 4 anos, passional e intensa responde bem ao sussega Lião, ops, quer dizer, ao Serial Abraçator;
3. Às mães de crianças super reservadas e contidas: por favor contem aqui nos comentários como destravaram os elementos desse nível e como fazer para passar dessa fase 6 (anos).
6 comentários:
Gostei. Aqui somos adeptos do abraço (tanto é que nic abraça deus e o povo por aí), mas com ele em estado de birra, nao é sempre que rola nao. Tem vezes que ele fica tão transtornado que se tentarmos nos aproximar dele ele vira o bicho. E elha q ele é de libra, sempre achei os librianos tranqüilos - será q nao? Por que qdo ele esta com raiva ou frustrado, mesmo que nao diretamente comigo, tudo o que ele quer é ficar sozinho. Dai, uma vez q ele se acalma é que permite (e gosta de) um abraco. Eu adoro qdo chega esse momento. :)
Aqui ainda nao enfrentei nenhum ataque mas vou tentar encarar o monge budista e ir pro abraço! Quando há um pequeno showzinho advirto e se repete ele vai pra cadeirinha do castigo pra pensar. Fica 2 minutos numa boa (vamos ver até quando jkkk) Depois explico falando baixo e ele pede desculpas, já sabe e antes de ir pro castigo dai pedindo desculpas e abraçando kkk! Vou procurar nao gritar, gostei da frase da platéia, vou me lembrar disso.
Oi Fabiana, obrigada pelos elogios!
A tal terapia do abraço vale a pena. Como disseram nos comentários, precisamos estar disponíveis emocionalmente para lançar mão dela, mas vale a pena!
Vou lá no seu blog!
Beijos
Obrigada! Seja muito bem vinda!
Beijos
Acabei de descobrir seu blog e me identifiquei MUITOOOOOOO, tb sou mãe de 2 !!!2 Marias, uma de 2 e uma de 4.... parabéns pelo blog!!!
Putz, sangue de barata mesmo!!!!
Não sei se eu conseguiria, mas concordo contigo que a técnica é eficiente.
Se eu pudesse eu treinaria essa teoria, mas não será possível, pois aqui não temos birras... Minha Lia é um ser superior livre de todas esses descontroles... #NOT
#elessãotodosiguais
#claroquevoutentar
#depoisteconto
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