quarta-feira, 14 de março de 2012

Irmãos dormindo no mesmo quarto: desde quando?

Desde sempre, é a minha resposta.

Quando a gente recebe o resultado positivo pela segunda vez, uma relação de coisas inadiáveis surge imediatamente na cabeça:
- arranjar um outro nome mais lindo do mundo;
- separar o que ainda dá para aproveitar do primeiro filho;
- rever o orçamento;
- fazer caber essa criança (e sua tralha) dentro de casa.

Pelo menos essa foi a lista mental que elaborei no instante que confirmei que estava grávida de novo. E antes mesmo de saber o sexo do bebê, já estava decidido que as duas crias iriam dormir no mesmo quarto. Esse fato acabou não exatamente sendo uma opção, e sim uma consequência: moramos em um apartamento pequeno e mudar de casa não estava nos planos. Mas mesmo que tivéssemos espaço de sobra, a escolha teria sido a mesma porque acredito que o fato de dormir no mesmo quarto traz diversos benefícios para os irmãos, fortalece o vínculo, ajuda a criar uma cumplicidade entre eles e faz com que percebam que a necessidade de compartilhar - seja o espaço, objetos ou pessoas - é uma coisa inevitável na vida do ser humano, principalmente se esse outro ser é sangue do teu sangue. Do lado prático, a vantagem é que brinquedos e utensílios infantis ( = a baguncinha das crianças) ficam concentrados em um só lugar - ponto importante para quem mantém a casa sozinha, como eu.

Tudo isso é muito bonito, mas reconheço que tem muita gente que leva em consideração outros aspectos na hora de decidir se coloca os irmãos para dormirem juntos ou separados. De fato, é grande a possibilidade do mais velho se incomodar com o choro do mais novo durante a noite, principalmente durante os primeiros dez anos. E os pais têm que ser criativos ao explicar para o filho porque não dá para brincar no quarto enquanto o bebê está dormindo.

Daí, o pai de duas e eu nos apegamos aos pontos positivos e estamos com eles até hoje. 

Para receber a Lia, mudamos um pouquinho a decoração (quem consegue segurar uma grávida e seu instinto de arrumar o ninho?): com a "ajuda" da Stella demos uma nova demão de tinta nas paredes, compramos algumas peças de móveis, sendo que a mais importante foi a caminha da irmã mais velha, que tinha acabado de ceder gentilmente o berço para o nenezinho que estava chegando. O quarto também ganhou um novo jogo de colchas artesanais (do qual, confesso, até hoje não consegui me desfazer).

Lia passou as noites dos primeiros meses dormindo no nosso quarto. Quando senti que começou a ficar desconfortável para ela dormir no carrinho - nem pensar que caberia um bercinho, por menor que fosse, no meu quarto - a transferi para seu berço. Mas ela - ao contrário da minha primogênita - foi uma daquelas crianças que chegava a acordar de 8 a 10 vezes por noite - #glóriaoapaisenhor que essa fase é passado! Stella nunca se incomodou com a choradeira noturna e, para o bem estar geral, foram poucas as vezes que reclamou do barulho.

Quando a Lia completou dois anos, o quarto ganhou novas configuração e decoração. Como me falta espaço, tenho que compensar na criatividade. O berço se foi de vez (ai, que dor no coração!) e no lugar dele veio uma cama super legal, com escada, escorregador e espaço para fazer um esconderijo (semanas depois, Lia resolveu brincar de bungee jump nessa cama e o resultado foi esse). Além de ser o lugar de dormir, o quarto agora concentra todos os brinquedos, jogos e tem uma subutilizada televisão.

As vezes pergunto se elas gostariam de ter quartos separados, e sempre me respondem com um uníssono NÃO. Percebo que este é o território delas, lugar onde brincam, inventam e fazem planos para dominar o mundo. E enquanto durar a paz fraternal, permanecerão unidas no sono e na vigília.

1 comentários:

Bianca Peres disse...

O início da vidinha da Luísa foi num quarto só dela porque a Laura, mesmo com três anos, ainda tinha o sono mega leve. Mas nos mudamos, e no apartamento novo elas dividem o quarto. E adoram. Dividi o quarto minha vida toda, e amava!!!

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