Só sei que trabalhar em casa com as crianças de férias não tá bolinho, não!
Quando o trabalho é mais mecânico, dá para fazer picadinho: um joguinho de mico ali, uma diagramada aqui.
Mas quando o trabalho é de criação, daí é preciso um tempo de aquecimento buscando referências e depois mãos à obra. É muito difícil retomar no mesmo ponto quando esse processo é interrompido, por isso só ela me salva: a madrugada.
Na calada da noite, onde o frio é mais frio (país trocipal a-on-de?), onde já não há mais tosse vinda do outro quarto, corro para conseguir terminar o projeto. Na manhã seguinte,
café direto na veia, uma arrumadinha ali, uma finalizada lá e a menina sentada no meu colo. Aperta botões e faz combinações de teclas que eu quase tenho que chamar um técnico para desfazer o comando.
Crianças da geração Z já nascem sabendo mexer no Photoshop, sabiam dessa? Eu não sabia, mas a Lia me comprovou! E ela foi fazendo a direção da minha arte:
- Mamãe, põe uma bolinha ali em cima e a outra em baixo! Mas só três estrelas? Eu gostei dessa cor! O que está escrito aqui? Pra que serve esse botão vermelho?
Segui as sugestões dela e não é que ficou bom!? Mandei para a cliente, que aprovou sem ressalvas e elogiou o resultado final. É claro que também fui elogiar minha pequena e agradecer pela ajuda. E ela, mais do que depressa, saiu correndo para contar para o
pai de duas:
-Eu fiz
todo o trabalho para a mamãe!