quarta-feira, 30 de março de 2011

Ponto B

Democratização do conhecimento é um dos feitos atribuídos à internet. A chave é saber por onde buscar e como achar. Faz tempo que não leio jornal nem vejo Tv para me informar. Não me faz falta. Hoje posso dizer, tranquilamente, que boa parte das minhas fontes de informação e inspiração estão na rede.

Tem um tempinho sobrando? Conhece o TED?

Começou como uma conferência em 1984 sobre Tecnologia, Entretenimento e Design (daí o nome TED) e hoje o site se presta a divulgar idéias através de palestras de pessoas que valem a pena serem ouvidas. Michelle Obama, Philippe Starck, Jeff Bezos, Bono Vox, James Cameron, Steve Jobs, entre muitos outros têm apresentações registradas em vídeo que podem ser vistas gratuitamente por qualquer um que tenha interesse em saber sobre os mais variados assuntos: negócios, ciências, neurologia, fé, artes, política, origami...

Para quem não está com o inglês em dia, algumas apresentações têm legendas em outras línguas (inclusive português) e várias outras contam com personalidades brasileiras.

Semana passada assisti à poetisa Sarah Kay falar sobre sua missão em divulgar a palavra falada e me emocionei. Ela começava assim:

"If I should have a daughter, instead of Mom, she's gonna call me Point B, because that way she knows that no matter what happens, at least she can always find her way to me. And I'm going to paint solar systems on the backs of her hands, so she has to learn the entire universe before she can say, "Oh, I know that like the back of my hand."

Que numa tradução livre seria:
"Se eu tiver uma filha, ao invés de Mãe, ela vai me chamar de Ponto B, porque desse jeito ela sabe que não importa o que aconteça, pelo menos ela pode achar o caminho para mim. E eu vou pintar sistemas solares nas mãos dela, para que ela tenha que aprender o universo inteiro antes que possa dizer "Ah! Isso eu sei como a palma da minha mão."



Vivendo e aprendendo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Por uma infância sem racismo: sobre as cores


Muito legal a bandeira que a Ceila, do Desabafo de Mãe levantou promovendo a campanha da Unicef para que os blogs maternos compartilhem suas histórias por uma infância sem racismo.

Racismo, segundo o tio Aurélio, é a "doutrina que sustenta a superioridade de certas raças". A maioria das vezes associa-se essa palavra ao preconceito com os negros. Porém, quando li a definição, me veio na mente a imagem daquele senhor com bigodinho ridículo pregando absurdos racistas há uns 70 anos atrás. E é por aí que vai a minha história.

Somos todos brancos na família. Com diferentes tonalidades que vai desde o cor-de-rosa até o branco-oliva (pantone neles!). Combinações genéticas variadas que geraram, no nosso caso, uma filha de pele branca com olhos e cabelos castanhos e outra igualmente branca, com olhos azuis/verdes e cabelos loiros.

E daí?

E daí que desde que a loirinha nasceu, comecei a me sentir uma popstar cada vez que saía com minha bebezica. Era comum pessoas me pararem para olhar de perto a beleza ariana da minha caçula ou apontarem para ela e sairem cochichando "parece uma boneca" (fato: bonecas bebês vêm nesse padrão mesmo). Só que na maioria das vezes minha morena estava junto e era simplesmente ignorada. Transparente mesmo, saca? E quando era notada, vinha a pergunta inevitável: Ela é sua também? ou São irmãs? Ah, essa outra é bonitinha também...

E essa situação de quando os elogios não são tão benvindos me incomoda faz tempo.

A cena mais bizarra que eu já vivi sobre isso foi há uns meses atrás dentro de uma lanchonete. Estava almoçando com as elas quando uma menina - de uns 10, 11 anos - veio por trás de mim e me abordou pedindo meu lanche. Me pegou tão desprevenida que não consegui falar nada. Diante da minha mudez, ela apontou para a Lia e disse: Então me dá essa loirinha aqui e você fica com a outra.

Fiquei sem reação. Não sabia se botava ela para correr (ó instinto), se agarrava minhas filhas, se gritava. O paradoxo é que a garota reunia uma coleção de adjetivos passíveis de descriminação (moradora de rua, negra, pobre) mas nesse caso ela estava sendo a agente do preconceito.

O que eu tenho vivenciado com as minhas filhas me faz pensar o que leva as pessoas a se encantarem e tentarem reproduzir artificialmente os atributos da raça ariana (pele, olhos e cabelos claros). Será porque aqui esse biotipo é exótico? Será porque a mídia sugere que esse é o padrão desejável de beleza? Será que as palavras do Führer ainda ecoam no subconsciente mundial?

Por causa desses episódios, cuido da auto-estima da Stella com muito carinho. Ela retribui dizendo que não adianta a Lia comer tanta Nutella porque não vai ficar com os olhos da cor de chocolate como os dela!

Tento tirar algum proveito dessas situações que continuam se repetindo (semana passada fui vacinar as meninas no posto de saúde e uma senhora, tentando remendar, falou que a morena era até mais bonitinha do que a loirinha), para explicar que tudo na natureza vem em cores diferentes: olhos, peles, folhas, escamas, pelos, flores, etc. Assim é o nosso mundo e isso não faz com que ninguém seja melhor ou pior, cada um tem seu jeito e suas características. E também, sempre que cabe, emendo nesse assunto as escolhas da vida: cada um ama quem quer, independente de ser menino ou menina, e cada um reza se quiser, para quem quiser.

Acredito numa infância não só sem racismo, mas sem discriminação de cor, de amor, nem de credo.



Uma lição sobre o lugar das cores: o imperdível Flicts do Ziraldo.
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