quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O sorriso da minha Mona Lisa

"Eu queria mesmo era que as lanchonetes dessem, ao invés de brinquedos, escova e pasta pra gente escovar os dentes lá mesmo"

Essa foi a declaração da Stella, 6 anos, guardiã da moral e dos bons costumes. Lendo isso parece difícil de acreditar que veio espontaneamente da boca de uma criança, mas explico a lógica.

Aqui em casa a Tv tem pouca regulamentação. Ficamos de olho nos canais e no tempo em que estão na frente da tela, mas fora isso, assistem aos desenhos e aos comerciais sem grandes restrições. É claro que as duas me chamam sempre para ver as "novidades do setor" e nunca deixo passar uma oportunidade de conversar sobre a quantidade e a qualidade das propagandas e dos produtos que elas veem. Fazemos sempre esssa reflexão juntas, de como existe tanto lixo sendo anunciado como brinquedo e se realmente elas acham que seriam felizes tendo aquilo. Aproveito para falar sobre dinheiro, quanto custa para fabricar essas coisas versus o quanto nós temos que pagar para poder chamá-la de nossas. Conto, sem dó, que as empresas pagam para que o comercial deles seja veiculado justamente no canal onde só passa desenho e no horário que as crianças mais asssitem. E peço para que elas pensem bem no produto antes de gritarem: Mãe, compra!!

Além dos fabricantes de brinquedos, a lanchonete preferida delas - aquela que troca a coleção de brindes a cada mês - chega a colocar dois comercais a cada bloco só para fazer com que as crianças fiquem chorando e gritando: Mãe, eu quero! E quando ela, munida de todas essas informações, chegou a sua própria conclusão de que era "uma sacanagem" (segundo palavras da própria Stella), ficou revoltada com a manipulação. Não vai abrir mão do lanche que ela tanto gosta, mas que fique claro que não vão ganhar essa mocinha só por causa dos brinquedos.

É claro que para ajudá-las nessa reflexão, pinto os personagens com cores fortes (isso é uma metáfora, tá?): nós somos os bons que só queremos comprar uma coisinha e "eles" são os maus que ficam nos empurrando muitas "coisonas", mas para os valores cultivados aqui nessa família, tem ajudado a construir o pensamento crítico das minhas filhas. Vide a frase que abre esse texto.

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