terça-feira, 19 de julho de 2011

Quem tem medo de parto normal?

Não fui eu quem escreveu essas palavras. Mas poderia ter sido, tamanha a semelhança da situação que vivi:

"Na porta do hospital, esbarramos na burocracia. Não me deixam ir para a maternidade enquanto não preencher as guias de internação. Falta carimbar, registrar, selar, telefonar, rotular. A mulher da recepção me diz que “está tentando ajudar”. Lembro do carimbador maluco do Plunct Plact Zum, que não queria me deixar ir a lugar nenhum. “Escuta, estou em trabalho de parto, avançado, preciso subir!”. Como resposta, me perguntam o CEP, depois de fazer a mesma pergunta pro meu marido ao meu lado. “Você tá falando sério? O CEP!!??? Você não pode copiar a ficha dele na minha? Ela perguntou o meu CEP???”, reajo, perdendo a paciência. Ando de um lado para o outro como uma onça enjaulada.
(...)
Já sem condições de andar, sento um tanto contrariada numa cadeira de rodas. Se não tivessem me retido por tanto tempo na entrada, eu tinha ido a pé. Estou num elevador, cercada por pessoas estranhas, sendo empurrada por um dos seguranças igualmente estranho porque meu marido ficou lá embaixo respondendo às perguntas da carimbadora maluca. Quando a contração chega, seguro a vontade de pegar na mão de alguém e me lembro que não estou num avião caindo, mas indo dar a luz. Ponho uma cara de paisagem e fecho os olhos. Quando encontro minha médica, as dores já estão fortes à beça (aqui, o leitor pode substituir o “à beça” por uma “locução adverbial de palavrão” para ser mais fidedigno ao que eu quero realmente dizer). Passo para uma maca e sou empurrada por um corredor sem fim. Não acredito que estou numa maca."

Esses dois parágrafos fazem parte de um texto incrível que a jornalista Isabel Clemente publicou na seção Mulher 7x 7 da Época há quase dois anos atrás e cujo o título tomei emprestado para esse post.
Leiam, compartilhem! Não deixem essa discussão perder a força e o respeito que merece.

Mas antes de clicar lá, quero chamar a atenção para as últimas frases do (longo) texto, que representam perfeitamente a minha crença absoluta:
À tarde, deixamos o hospital. (...) Enquanto esperava nosso carro, vi uma moça carregando o seu “pacotinho”. Sorrimos uma para a outra em cumplicidade. Independentemente do parto que tivemos, vivíamos certamente um mesmo sentimento: nossa aventura com aquele filho estava apenas começando.

21 comentários:

Natália a mãe disse...

Que lindo! Adorei tudo. Eu realmente tenho medo do PN. Por isso marquei cesárea...e concordo com o que ela escreveu no final, independente do tipo de parto que fizemos somos mães iguais...Beijos

Anne disse...

Excelente relato. Nao esquece de ninguém! Nem quem opta por cesárea em nem da dura realidade de um país cesarista ao extremo.

Mari Hart disse...

Maravilhoso!!!!! Muito bom!

DaniMoreno disse...

não tenho medo... fiz 4... todos sem anestesia!!! rsrsrs

beijo

Alexandra disse...

Oi Pricilla
Tive 2 PN e passei por poucas e boas. Um dia ainda escreve um relato tb.
Beijos grandes
Alexandra
PS: se fores em algum restaurante com as crias em Santiago e curtires, fotografa e escreve lá no blog. Vou adorar.
bjs

Beca Bricio - Mulher que pariu disse...

Oi Priscila,
to aqui conhecendo teu espaço, vi esta postagem publicada la no grupo mamães blogueiras e fiquei extremamente contemplada com o que li.

Eu não tive medo do parto normal, e sim da cesária (e fugi que nem o diabo corre da cruz...#medodecirurgia hehehe)

e o mais importante de tudo, é respeitar a opção de cada uma.

somos todas mães e o tipo de parto ou ter amamentado ou não... não define se seremos A mãe.

um beijoooo

Sabrina Ândrea disse...

Eu adoro ler sobre estas coisas de parto ! Morria de medo de PN , e ainda tenho medo... mas mesmo assim ganhei três meninas... todas de parto natural... foi tudo muito tranquilo... mas o medo não passou não !!!

BJs

Celi disse...

Pri,
Lindo texto! Adorei o post! Contempla o início de tudo. De praticamente uma "vida" que está somente começando... Para que ter medo, se é algo tão natural e simplesmente maravilhoso!
Beijos

Carol Garcia disse...

lindo texto.
faz a gente perceber que não há certo nem errado.
e que é simples não fazer disso uma tempestade.

bjocas

Anna disse...

ótimo texto!

Obrigada por compartilhar!

beijos

Flavia disse...

Adorei o texto, e vem de encontro total o que eu penso em relação à parto (e se extende a todas as escolhas maternas).

beijo

Mônica Japiassú disse...

Não li o texto inteiro ainda, mas esse trecho que você transcreveu aqui é demais! Deu vontade de ler tudinho, e é o que farei! :)

Acho que só quem é mãe consegue sentir cada palavra desse texto fluindo da tela do computador até o coração!

Um espaço pra chamar de meu disse...

Gostei do trecho do texto e do final,não importa o tipo de parto mesmo...
Eu tive 2 PN,sem anestesia,e graças a Deus bem rápidos...Quando alguém diz q alguma coisa "foi um parto" acho sempre q foi rápido,rsrsrs
Eu morro de medo da cesárea,pois tenho pavor de anestesia, meu 2º filho seria uma,pois ele estava com circular de cordão,bagunceiro q é se enroscou todo dentro da barriga,mas não deu tempo,nasceu de PN,sem sofrimento e sem complicações com o cordão...
Acho assim,cada uma sabe os seus medos,seus limites e seus desejos...
Bjs e vou lá terminar de ler o relato...Bjs!!!

Pequenos Modernos disse...

Excelente texto!
Todas são mães não é mesmo? Indpedente do parto que tiveram.

Bjs

Viviane disse...

Perfeito Pri! Eu não entendo tantas picuinhas por parto normal, cesárea e afins. O que importa é a maternidade, o ser MÃE, não se foi cesárea, normal ou adotado.

Cassiê, a mamãe do Eduardo disse...

Feliz dia do amigo! Obrigada por partilhar comigo um pedacinho da sua vida! Consideração pela sua amizade, ainda que virtual! Bjo

Laiz disse...

Ola Priscila!!! Vim conhecer seu espaço e adorei tudo que li...esse post sobre os partos é muito bom!!! Pra mim não importa se o parto é normal ou a cesareana... ser mãe vai além desse momento... Ser mãe é o dia a dia, é a construção, são as inúmeras opções e escolhas que teremos durante o decorrer das nossas vidas com nossos pequenos.
Eu tinha medo de parto normal sim...mas queria ter feito... estava voltada para essa opção...mas o Antônio decidiu não vir dessa forma (nem pensar em nascer...preguiçosooo!)... e lá fui eu fazer minha cesariana... triste? NÃOOOO Sou muitooo feliz! Feliz em ter um parto tranquilo, uma recuperação fácil e um filho maravilhoso!!!! bjooooooooo

Laiz disse...

Ahhh esqueci de te convidar!!! rs Venha conhecer a "nossa casa":
http://www.diasdemamis.com.br/
Bjoooooooooooooo
Laiz

Nine disse...

Oi Pri!
Acho e sempre acharei esse assunto polêmico. Eu não sou polêmica, construí minha opinião sobre o assunto ao longo desses 3 anos.

Hj não apóio a cesárea eletiva e muito menos aquela feita com base na ignorância da mulher, essa última então, acho o ó! Mas não critivo quem fez, cada um sabe de si.

Defendo acima de tudo o direito de escolha, mas de escolha consciente, baseada nos fatos, na fisiologia do corpo, do parto, dos pontos positivos e negativos. A dor não pode, ou não deveria ser o único motivo para se escolher uma cesariana, pois há muito mais envolvido para mãe e bebê.

Defendo também o direito a um parto humanizado, ao bom atendimento nos hospitais, o direito a profissionais qualificados para realizar um parto normal/natural, e não esse atendimento horrível a que somos submetidas mesmo ou até mesmo nos hospitais particulares.

E cada vez mais defendo o nosso direito de poder parir em nossas casas, sendo bem assistidas, num parto de baixo risco.

Beijos,
Nine

Ana disse...

Nossa Pri, tudo a ver com meu post-desabafo que afinal depois de mais de um ano foi parido!
Obrigada por trazer esse texto aqui, viu?!
Beijos

Espere um pouquinho... disse...

Adorei o texto. Eu não tinha medo do parto normal, aliás, até queria, mas infelizmente não foi possível!
Beijos

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